Resumo
Objectivo: Este artigo propõe um modelo de saúde mental digital (SMD) e turismo inteligente com adaptação cultural, visando auxiliar na manutenção da saúde psicológica e na adaptação cultural dos estudantes chineses do continente que estudam em Hong Kong. O seu objetivo é integrar elementos de saúde mental com a mobilidade urbana, as tecnologias de orientação e interação entre pares, transformando o processo de navegação diária numa fonte de gestão emocional, aprendizagem cultural e inteligência institucional.
Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura com base nas diretrizes PRISMA 2020. As palavras-chave predefinidas utilizadas incluíram saúde mental digital, adaptação cultural, mobilidade e turismo inteligente, pesquisadas nas bases de dados Scopus, Web of Science, PubMed e Google Scholar. A inclusão foi baseada na estrutura PICOS e foram incluídos 55 estudos publicados entre 2008 e 2025. A codificação e as verificações de fiabilidade com síntese temática, facilitada pela análise de conteúdo qualitativa (NVivo 14), foram complementadas com triangulação de dados, tornando a metodologia robusta.
Originalidade/Valor: O estudo contribui para o conhecimento existente ao incorporar intervenções de saúde mental digital (SMD) com tecnologias de mobilidade e turismo inteligente – que até à data não foram combinadas para ajudar os estudantes a atravessar fronteiras. Situa também a estrutura no contexto da inteligência competitiva sustentável sobre os dados de mobilidade e envolvimento dos estudantes como um benefício institucional.
Principais Resultados: Demonstra-se que a utilização de ferramentas de SMD culturalmente adaptadas leva à diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão nos estudantes, enquanto a exploração guiada da cidade e a utilização da navegação guiada por realidade aumentada (RA) melhoram a confiança na mobilidade e a adaptação sociocultural. As capacidades sociais entre pares ajudam a diminuir o isolamento e a criar um sentimento de pertença. Coletivamente, estes elementos podem fornecer inteligência institucional em tempo real que pode auxiliar na deteção precoce, no planeamento de serviços e na competitividade estratégica a longo prazo.
Contributos: O estudo propõe um modelo interdisciplinar que liga a saúde mental, a mobilidade, as tecnologias de turismo e a inteligência competitiva. Mostra como as universidades podem utilizar ambientes de cidades inteligentes para incentivar o bem-estar, a inclusão cultural e a tomada de decisões baseada em evidências.
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